ALE MY FRIENDS CLUBE | EDIÇÃO #9

Caros amigos,

 

Arranca agora o segundo ano de rodagem do meu pacote.

Queria começar por agradecer-vos do topo do coração pela devoção e por alinharem connosco nesta peregrinação pagã em que o caminho faz-se bebendo e o objectivo é nunca parar de andar.
Para a História ficará a memória de um grupo de activistas etílicos que defendiam o conhecimento e a diversidade e rejeitavam o monoteísmo de estilos, os monopólios de sabores e os latifundiários da pinga. Ou simplesmente um grupo de bêbedos. Mas daqueles fixes, que compram cenas online e pagam com mbway e taggam amigues no instagram e escrevem tudo com minúculas e não usam vírgulas e passam sunsets em rooftops e metem gasóleo com uma ficha eléctrica e bebem cervejas que sabem a cerveja. Obrigado pela companhia, temos um ano em grande pela frente!

Já decidi qual será a minha grande resolução de ano novo: a do caso Maddie – vou descobrir onde é que a bifa anda. Mentira, não vou fazer isso porque não tenho recursos nem tempo, e porque não gosto de cavar. Sou contra resoluções, porque não sou o Poirot nem matemático. A única equação que quero resolver é a que envolve 12 cervejas, tempo, e a vossa sede a tender para zero.

Ora pois, felizmente o pacote deste mês é uma maravilha. Vamos a ele!

 

Da amiga portuense Burguesa trazemos um clássico de inspiração inglesa e uma cerveja natalícia. A English Strong Bitter é uma cerveja intemporal, a Xmas21 perfeita para temporais. Se por um lado temos uma cerveja maltada e amarga qb mas muito fácil de beber de um trago, do outro uma companhia para a lareira: uma musculada winter ale com lactose (intolerantes, façam cuidado que pode provocar bufas), caramelo e um toque de sal.

Da vossa já recorrente visita de casa Barona, escolhemos duas cervejas com sabores de Outono – ambas produzidas com folhas de árvores caducas alentejanas. Não é verdade, mas podia ser. A Castanha é, pasmem-se, feita com castanhas. Uma brown ale suave com um toque de fogareiro à porta do Metro. Podia ter escrito fogareiro junto à praça de táxis, que seria engraçadinho mas remetia para odores diferentes. Já a Boleima é uma cerveja bastante mais forte e com sabores a, pasmem-se, boleima (um doce alentejano com maçã e canela). Uma excelente escolha para sobremesa, ou para beber casualmente na praça, ao pé dos fogareiros de Castelo de Vide.

Da sintrense (é assim que se diz?) HopSin chega-nos a Colares, uma pale ale muito gostosa e fácil de consumir – um pouco à imagem do produtor Sérgio Pardal. Aroma lupulado, amargor equilibrado e final seco a chamar-nos de novo ao copo. A Roca é uma belgian dubbel, muito maltada e um pouco adocicada, com os aromas fenólicos típicos de levedura trapista e um final de boca redondo e aconchegante.

Da vizinha Lince, esse bicho esquivo pouco amante de e em cativeiro, incluímos duas cervejas de produções frescas do seu portefólio corrente: a Zeus é uma single-hop american pale ale com aroma resinoso, amargor assertivo e algum corpo para equilibrar as contas e a Stout, que é isso mesmo. Maltes torrados, sabores a café e chocolate preto, até com leite frio sabe bem. 

Da MUSA temos uma novidade e três velhas raposas. A novidade é, aliás, uma reedição de um hit do ano passado que decidimos voltar a produzir com algumas alterações. A Remistura é uma (de duas) cervejas que fazemos em colaboração com a Cockburns (quem nunca as teve..). Uma belgian golden strong ale magnífica que envelhecemos em barricas de vinho do Porto durante alguns meses. Notas frutadas dos ésteres da levedura belga e da uva, corpo médio, algum calor do álcool e notas de madeira, pêra bêbeda e baunilha. Para beber agora ou guardá-la para o próximo Outono, que aguenta muito bem. Para completar a despensa, um trio que dispensa apresentações: a nossa menina d´oiro Saison O´Connor, a perfumada red session IPA Red Zeppelin e o refresco pós-tareia a Ivan Drago, Eye of the Lager.

 

Espero que gostem muito e que bebam pela boca sempre que possível,

 

Um grande abraço  

Pedro Lima
Mestre e Maestro Cervejeiro

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