Ale My Friends Clube | Edição #7

Caros amigos,

Tenho andado a pensar seriamente num tema que importa a todos. Desde que há dias revi o filme O Dia Depois de Amanhã, e só a partir desse momento, comecei a aperceber-me de que a Greta talvez tenha alguma razão para andar toda ressabiada em barcos à vela e a esmurrar com verberação púlpitos de cimeiras de gente crescida. Onde antes via apenas uma adolescente carrancuda com visível talento para não chumbar por faltas, reconheço agora a importância de alguém que, como eu, interpretou a mensagem fundamental de Dennis Quaid. Ele avisou-nos, em 2004, que isto ia dar barraca.

Eu acho supé giro os acordos de Paris e COPs da vida, que são um totoloto para as empresas de catering, mas acho mesmo que se calhar talvez coiso. Era mas é meter aquela gente toda numa matiné do Politeama a ver O Dia Depois de Amanhã, com beberete no fim oferecido pelo Guterres, show de variedades de Greta e Quaid ao intervalo com encenação do La Féria, e ver as políticas mundiais a mudar no imediato. Não duvidem do poder de persuasão do teatro de Revista à portuguesa, nunca duvidem da competência do La Féria, nem da inocência do Sócrates e, principalmente, nunca duvidem de que é melhor ter dúvidas do que as não ter. Portanto duvidem da estratégia que vos proponho. O que é que eu sei? O João Pedro Pais já me disse: ”tu não sabes nada de nada”. Também me desaconselhou a acreditar que no amor não se sente dor. Diz ele que é mentira. Aqui entre nós, ele sempre me fez lembrar a Dina. Uma versão menos masculina, mas com a mesma figura, pequeno demais para segurar uma guitarra.

Mas voltando à vaca fria e ao planeta quente, isto do aquecimento global é uma maravilha para quem gosta de beber cerveja. Preocupa-me a sobrevivência do planeta e tal, mas mais do que isso preocupa-me a sede no mundo. O verão agora acaba em novembro e o inverno é uma brisazita. E é com esta realidade em mente que vos proponho um pacote de primavera-verão em pleno Outono, que é esteticamente tão modernaço como termos há anos alguém com a elegância absconsa do Manuel Serrão a dar a cara pelo Portugal Fashion.

Agora o pacote:

Directamente da Trofa vêm duas propostas frescas da Post Scriptum Brewery. Fundada em 1732 pelo meu querido amigo Pedro Sousa, é uma das mais conhecidas e reconhecidas marcas de cerveja no norte do país. A primeira cerveja é uma pilsner orgânica, produzida com maltes e lúpulos, adivinharam, obtidos através de agricultura bio-eco-organicofílica. Bela e delicada. A Simbiose é uma portuguese grape ale, produzida com mosto de cerveja e mosto de uvas Loureiro e co-fermentada por leveduras de Ale e de vinho verde.

P.S. são do carago

Algures entre Cascais e Sintra nasceu recentemente a Cachica. Uma cervejeira ainda verdinha, mas já a dar sinais de que vai dar que falar. Bem ou mal, isso agora é convosco. Acho que bem! Propomos uma golden ale (Holy Grale) e uma weizen mais amarga do que é habitual (Trigonometria). Ambas gostosas e refrescantes, perfeitas para temperaturas amenas e chuva moderada. 

Dos Piratas Cervejeiros (dos quais incluímos uma patersbier no pack anterior) chega agora uma outra proposta com inspiração belga. A Exsillium III é uma bone fide tripel belga, cheia de sabor, aromas fenólicos, algum álcool a reconfortar-nos antes de finalizar seca e a chamar-nos para outro gole.

Da vizinha Dois Corvos conseguimos propor 3 referências saídas há minutos dos fermentadores. A Rodada é uma vienna lager, com toques de biscoito e caramelo, em perfeita harmonia com uma fermentação meiga e a adição de lúpulos europeus. A Cloud 7 é uma new england IPA. A rebentar de sabor, combina um amargor moderado com uma gritaria de lúpulos americanos que vão facilmente ouvir. Por último, a Havana Cabana, uma piña colada Gose. Uma junção perfeita de leveza, sal, ananás, acidez e um toque de lactose. Um refresco a não perder!

Da MUSA temos 3 referências já bem rodadas e uma novidade. Todas acabadas de sair da linha de enchimento. Às vossas já conhecidas, visitas de casa, Born in the IPA, Twist&Stout e Red Zeppelin, junta-se a novíssima Hazy Diamond. Uma colaboração com os amigos da espanhola Cierzo, junta dois estilos aparentemente nada confluentes. Nos sabores e na História. Esta New England Saison tenta harmonizar o nível de saturação de lúpulo e a leveza de uma new england pale ale com as características típicas de uma saison belga. Resulta numa homenagem à dissonância e liberdade estilística e num humilde brinde ibérico a Syd Barrett.

 

Espero que gostem!

Um grande abraço,

Pedro Lima

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