Ale My Friends Clube | Edição #5

Queridos amigos,

Estou de férias com os meus filhos e, portanto, a sonhar com a reabertura das escolas. Poucas coisas me dão mais prazer que despejá-los de manhã num edifício público pré-fabricado, simultaneamente depositando não só dois seres humanos como também, por momentos, toda a responsabilidade de educá-los, alimentá-los, entretê-los e evitar que faleçam, para à tarde, já amansados e domesticados, voltar a conseguir amá-los por umas horas. Obviamente estou a brincar, gosto sempre deles. Acho que um se chama Vasco. O outro, que se chama irmão do Vasco, é mais esquivo e sinceramente acho que poderá vir a ser um adulto execrável. Continuo a brincar, desculpem. Não tenho indícios de que qualquer um deles consiga chegar à idade adulta.

Nem percebo se gostam de mim. Hoje, por exemplo, só me sorriram quando autorizei que tirassem o cilício (que nem estava muito apertado) antes de irem à piscina. Os mimados nem devem saber nadar, mas a esta distância não consigo perceber. A distância que me preocupa, que agora deverá já ser pequena, é a que vos separa do conteúdo do nosso novo pacote. Em setembro há equinócio, portanto façam cuidado que neste mês a astrologia continua a não fazer sentido. Os astrólogos, ao contrário de Marte que nunca está, são sempre retrógrados.

Mas adiante, que o horóscopo é airoso e temos cervejas para gente de todos os signos, clubes e credos.

Começamos a viagem deste mês pela Ericeira. A Mean Sardine é uma das pioneiras em Portugal e ano após ano continua a produzir das melhores cervejas nacionais. Ganham prémios e condecorações e medalhas e emmys, tudo. Não conseguimos escolher apenas duas referências, portanto excepcionalmente levam 3 sardinhas. Sem espinhas. A Voragem é um clássico da marca, uma black ipa equilibrada, muito lupulada e cheirosa. A Luvas é uma grape ale muito interessante fruto da co-fermentação de mosto de cerveja com mosto de uva da elegante casta Jampal, autóctone do nosso país. Para finalizar, uma imperial stout cheia de assuntos e temperos, perfeita para acompanhar sobremesas gulosas. Menos boa para acompanhar sardinhas, mas quem sabe..

Da Bairrada chega-nos a Luzia, uma cervejeira que muito apreciamos composta por um casal de enólogos. Escolhemos a sua famosa italian grape ale, uma cerveja que produzem uma vez por ano, complexa, que envelhece bem em garrafa. Fermentada por bicharada da vinha local, por vezes maturada em barrica de carvalho, é um exemplar do estilo que merece destaque. No próximo pacote incluiremos outra Luzia, prometemos!

A algarvia Mania, marca irreverente do aliado alemão Stephan propõe-nos duas cervejas frescas e muito bem executadas. (tinha aqui uma piada para fazer que envolvia a MUSA, o alemão stephan e a ariana grande, mas não posso)

A N125 é uma vienna lager elegante, com toques de caramelo subtis de outono no horizonte. Para beber de boca cheia, de vila do bispo a V.R. de santo antónio, com mozart aos berros no blaupunkt.

A Space Monster Yoga King é uma bonita pale ale de início de tarde, leve e refrescante, para beber sem vergonha. Uma saudação ao sol.

Como já é hábito guardamos espaço para os vizinhos. Da já vossa conhecida Bolina propomos duas amarguras. A sua óptima american ipa Atlântida e a Ave Rara, ipa robusta com doses generosas do incrível lúpulo neo-zelandês Nelson Sauvin. A nossa Bolina preferida!

Da MUSA, duas novidades e duas velhas amigas. A twist and stout é uma oatmeal stout sem twists, que bebemos muito e em copo de pint. Uma delícia cremosa e pouco pesada. Notas de suave café, chocolate e cor de choco quando foge.

A Red Zeppelin é a nossa red session IPA, que amamos e é aquela para quem sempre voltamos. Ares de malte tostado, corpo médio, espuma marfim, amargor moderado e aroma resinoso e tropical. 

A Wheatney Houston é a american wheat que faltava neste verão. É no fundo uma pale ale, com muito malte de trigo e lúpulos americanos. Pouco amarga e nada adstringente, perfeita para aclarar a voz e desobstruir a goela. Soltem a diva.

Da colaboração mais recente com os amigos madeirenses da Vilhoa nasceu a mango lingo lingo, uma berliner weisse com manga da madeira. Um jaguar perfumado, pouco alcoólico, com acidez assertiva e aroma e sabor a, imagine-se, manga. O Reininho diz-vos como é que isto se bebe: sem cerimónia, num trono de jasmim. Ou num lago de jambu, escolham

À vossa, espero que gostem!

Um abraço,

Pedro Lima
Mestre e Maestro Cervejeiro 

Pesquisa