Ale My Friends Clube | Edição #3

Caros amigos,

Desta vez decidi não falar sobre problemas pessoais. Reflecti e cheguei à conclusão de que este não é o espaço para o fazer e portanto vou apenas tratar de outros assuntos. Não é que os meus assuntos não tenham importância, ou não tenham relevância e peso. O peso é um dos problemas, curiosamente. Ando descuidado com a alimentação e com o que bebo, mas talvez a origem do desequilíbrio tenha outra dimensão, não mensurável em kJ. Os afectos afectam isto tudo, e vocês continuam a não ajudar. Dou-vos tudo - mesmo tudo - de mim e em troca apenas me remetem umas transferências bancárias desprovidas de sentimento. Que mundo é este? O meu amor custa 30 e tal euros por mês? Com portes incluídos? E cartas e bugigangas? Valerá a pena tudo isto, este meu investimento na vossa felicidade que não tem retorno proporcional? Depois ponho-me a beber e a comer tarde e a más horas. Culpa vossa. Um dia destes dá-me um piripaque e depois quero ver quem é que vos apaparica o goto. Mas como referi acima, não vamos falar de mim. Vamos falar do belo pacote que vos trago, que é uma autêntica maravilha. Cervejas dos quatro cantos do mundo, e todas portuguesas.

Começamos pela D´os Diabos, cervejeira de Amarante, terra rija onde nem o Avelino Ferreira Torres conseguiu entrar. Liderada pelo Ricardo Cacildo, traz-nos sempre verdadeiros exemplos de estilos tipicamente ingleses adaptados ao ecossistema do Marão. No pacote vão encontrar uma brown ale e uma best bitter executadas na perfeição e pensadas para acompanhar uns lindos colhões de S. Gonçalo, doce iguaria para comer à boca cheia.

A alentejana Barona sugere-nos duas cervejas de colaboração. A Vila Morena é uma imperial brown ale estupenda, produzida uma vez por ano e lançada sempre a 25 de Abril. Uma homenagem à liberdade e a Salgueiro Maia, nascido em Castelo de Vide, terra de boa gente e dos cervejeiros da Barona. Uma colaboração com a lisboeta e extinta Cerveja Aroeira com aroma a cravos e escape de chaimite.

Trazem-nos ainda uma IPA de estilo americano, amarga e perfumada (lembra-me a minha ex-sogra) da série Devaneios, colaboração com a Velhaca, que se apresentou ao serviço no pack do mês passado.

De Lisboa chega-nos a Oitava Colina, belíssima cervejeira do bairro da Graça, recentemente trasladada em vida para Marvila. Muita vida. É uma das primeiras cervejeiras independentes do pais, e uma das melhores. Incluímos na selecção três referências clássicas da marca, mas prometemos aqui voltar em breve para vos dar a conhecer algumas criações mais inusitadas. Desta vez vão provar a Urraca Vendaval -  a sua mais famosa e gostosa IPA – A Joe da Silva, american pale ale, e a Florinda, lager fresca e elegante.

Por último, apresentamos a Ophiussa. Marca recente, de Setúbal, está já a fazer furor entre os aficionados da pinga. Autênticos roazes-corvineiros, do estuário do Sado para o mundo. Cervejas modernas e bem feitas, boa imagem e boas pessoas. Espero que gostem da Indigo, uma milk stout suave suave suave. Imaginem um galão de máquina escuro, frio e com gás. Parece uma péssima ideia, mas vão ver que não é. Atenção que esta cerveja, como o estilo indicia, tem lactose. Portanto façam cuidado que isto pode provocar bufas. Também tem glúten. E álcool. E dióxido de carbono. E imensas calorias. Resumindo, tudo o que é bom.

Da MUSA decidimos incluir uma novidade, uma reedição e duas veteranas experimentadas. A Bread Combo mudou de estilo e está uma belgian pale ale belíssima. Aromas frutados e a algumas especiarias, cravinho e pimenta, corpo de praia, mais leve e atrevido, final mais estruturado e seco. Tal como a primeira, feita com maltes de vários cereais e pão da Gleba.

Achámos boa ideia dar-vos a provar a Peste e Sidra. Que, adivinharam, é uma sidra. As melhores maçãs de agricultura biológica (que é uma cena super punk rock), alguma doçura residual (aquele cafuné maroto à glicemia) e acidez para equilibrar a coisa. Uma Orgia Paroquial na tua boca. Vão também beber a Eye of the Lager, a nossa pale lager favorita. Maltada, mas pouco; amarga, mas pouco; cheirosa, mas pouco; complexa, mas pouco; muito, mas pouco – só 33cL.

A novidade é a IPA na Rapaqueca, que é a cerveja indicada para beberem durante os próximos jogos da selecção no Euro. Tem é de ser na playstation, que este ano o engenheiro fez a táctica no Autocad e o prédio desabou a meio. O William nem para trolha, caramba. Mas enfim, é uma session IPA redondinha e airosa, leve e não muito amarga. Um brinde ao saudoso Perestrelo.

“É disto que o meu povo gosta”

Um abraço!

Pedro Lima
Mestre e Maestro Cervejeiro

 

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