Ale My Friends Clube | Edição #2

Caros amigos,

Novo mês, novo pacote, e este é todo um paralelepípedo ainda mais catita.

Mais uma viagem na nossa terra, desta vez passando pelo Douro Litoral, Alto Alentejo e Algarve, com a habitual paragem em Marvila para cumprimentar a vizinhança. Um elenco encantador e faustoso, “lembra-me um sonho lindo, quase acabado”. Um plantel de luxo para estagiar nos vossos frigoríficos, idealmente por pouco tempo.

Portanto vamos à convocatória, senão nunca mais me calo. Já devem ter reparado que estas cartas são desnecessárias, mas a única via que tenho para falar com alguém e desviar-me da solidão absoluta. Entristece-me que ainda nenhum de vós me tenha respondido, porém percebo. Devem estar super ocupados a comprar porcarias e packs online, e a brincar aos sommeliers. Tudo certo, não julgo. Mas se julgasse condenaria. Se fossem vocês a não verem respondidas as cartas que escrevem pode ser que vos acudisse um laivo de empatia pela minha situação. O mundo de hoje está reduzido a isto. Portanto a convocatória:

Da algarvia Marafada vão provar uma bock (neste caso verdadeiramente Super) que revira o conceito do estilo clássico alemão, delicioso mas conservador, aportuguesando a receita com a adição de batata doce de Aljezur. Resulta numa cerveja surpreendentemente leve e complexa sem perder a elegância típica das lagers. Esta é a única bebida que desembucha o Cavaco quando abre a época de caça ao bolo-rei, sabiam? A Maria compra às paletes. Da mesma cervejeira propomos uma american pale ale plena de lúpulo e a pingar frescura primaveril.

De Portalegre chega-nos a Velhaca com duas cervejas belíssimas, como é sempre seu hábito. Uma hoppy lager para beber às pazadas e também uma Hazy IPA toda modernaça. Como uma alentejana hipster que passeia no monte a ouvir Radar no rádio do tractor eléctrico. Ambas para se consumir rapidamente e pela boca.

A nortenha Colossus, portuense de clara e gema, traz-nos duas referências bem estabelecidas da marca. A primeira é a Adamanteia, uma witbier de esplanada com a particularidade de ter um toque ligeiramente fumado em perfeito equilíbrio com a expressão da levedura. A segunda é a Vasco, uma imperial stout de fim de tarde, não exageradamente alcoólica, cheia de sabor e com tudo o que o estilo requer. Uma maravilha.

Da muito amiga e vizinha Dois Corvos trazemos uma novidade e um clássico absoluto. A NZRÉ é uma double NEIPA encorpada lançada há pouco tempo, e é um canhão cheio de lúpulo até à crista. Um suminho que até com palhinha sabe bem sorver. Escolhemos também a Finisterra, que é sem dúvida uma das cervejas escuras preferidas no país. Uma imperial porter deliciosa, gulosa, com tudo no sítio certo. A Naomi Campbell de Vale Formoso, intemporal e perfeita.

Tal como no anterior pacote, sugerimos duas MUSAS veteranas e duas mancebas. Do nosso portefólio permanente vão encontrar a Red Zeppelin, session IPA avermelhada, amarga e leve. Um hit do nosso alinhamento que acerta sempre, nunca se engana e raramente tem dúvidas. Como o Cavaco a jogar trivial pursuit contra a Maria, a mamar Marafadas numa marquise em Boliqueime. Já a Saison O´Connor é muito pouco amarga, um típico refresco de inspiração belga e ideal arma de combate ao calor luso. Loira, cheia de gás, seca e muito aromática. Incluímos ainda a cerveja comemorativa do nosso quinto aniversário - Shiny Hoppy People, double IPA gostosona – e, por último, uma colaboração com a Barona, velhos amigos de Marvão. A Berliner Estás à Janela, berliner weisse com dry-hopping de lúpulos americanos, fecha o elenco deste mês com acidez assertiva e promessas de um verão feliz.

Um abraço e espero que gostem.

À vossa!

Pedro Lima
Mestre e Maestro Cervejeiro

 

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