ALE MY FRIENDS CLUBE | EDIÇÃO #10

Caros amigos,

Que bom voltar a ver-vos. O frio aquece-me a saudade, mas mais cedo do que tarde sei que aí estarão de boca e espírito abertos, sôfregos por beberem do meu pacote.
Em boa verdade este pacote não é meu nem é teu, é sim de quem o apanhar. A noção de pertença dilui-se quando a partilha é mais importante que a simples propriedade de uma dúzia de garrafas e umas quinquilharias para pousar copos. Nada temam, tudo partilhem e não duvidem, mas notem que "apagam-se dúvidas num mar de cerveja". Portanto - em todo o caso - assunto arrumado.
Na cerveja encontras sempre a verdade, nunca a mentira. Toda a felicidade, nunca a desgraça. Toda a cura, nenhum paliativo. Todo o sabor, nenhuma homeopatia.
Decidi neste preciso momento (enquanto escrevo isto, não agora que me estás a ler. No fundo é igual, embora não seja mas enfim) que vou encurtar a carta deste mês porque de facto não tenho nada para dizer.
Normalmente isso não é uma objecção, prefiro até partilhar pensamentos ou histórias que só fascinam a Nossa Senhora do Desinteresse. Porém isto tem de mudar. Primeiramente porque vocês já nem devem ler este papelucho, e em segundo lugar porque estou com um fortíssimo vazio na alma. E do vazio pouco escorre.
Talvez em Março venha a Primavera.
De formas que vamos então às cervejas deste mês, mui supimpas e formosas:

Da algarvia Marafada chegam-vos dois refrescos que sim senhor - uma witbier solarenga feita com laranjas de Silves e uma aromática IPA, bem menos amarga que muitas vidas.
Da portuense OPO74 escolhemos a repetente Common People (sing along!) - uma enorme mini para qualquer ocasião e sempre do gargalo, e a We Go To Porto - uma pale ale tesuda produzida em colaboração com os alemães Superfreunde. São supé amigos, ta a ver?
Dos amigos Piratas cervejeiros vem-nos a Exsillium II - belgian dubbel para os palatos mais gulosos - e uma lata de Grilhão, uma imperial stout potente para apreciar com tempo e sem horas.
A vizinha camarada Oitava Colina vem com duas novidades frescas: A El Capitán é uma NEIPA saturada de lúpulo, aromas tropicais, mais frutada que o chapéu de Cármen Miranda. A orange stout é isso mesmo - uma óptima stout com casca de laranja. Maravilha!
Da MUSA escolhemos quatro vossas conhecidas saídas há menos de nada dos fermentadores. A reedição da Mango Lingo Lingo (ligeiramente mais ácida e mais frutada); a honesta e refrescante Blondie, pau para toda a obra; e as pontas de lança lupuladas Born in the IPA e Frank APA. Mais fresco só dentro do fermentador.

Espero que estejam bem, que façam o bem, e bebam cervejas de bem

Um grande abraço,
 
 
Pedro Lima
Mestre e Maestro Cervejeiro

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